FENG SHUI - Modismo ou uma
ferramenta para o Arquiteto?

Quando estamos diante do "novo" costumamos nos comportar com admiração ou com desconfiança. Tem sido assim com muitas coisas e não foi diferente com o Fenq Shui. Da definição padrão apresentada nas revistas de arquitetura, decoração ou paisagismo, temos que Feng Shui é a "ciência chinesa da harmonização de ambientes". Para não fugir à regra, alguns profissionais da Arquitetura vêem nessa definição a possibilidade de novos rumos para seus trabalhos com a utilização de cores, formas e objetos, pois com isso o ambiente ficará cheio de "boa energia". Outro grupo foge correndo por considerar um modismo esotérico/místico, ou por considerar que um espelho colorido e cheio de rabiscos orientais pendurado sobre a porta de entrada de uma residência é nada mais nada menos, que mau gosto.
É certo que o Feng Shui tornou-se popular no ocidente nos últimos vinte anos e no Brasil a partir da década de 90. Mas há um equívoco em considerá-lo como algo novo. Existem registros arqueológicos com cerca de 5.000 anos que comprovam a prática de uma forma primitiva de Feng Shui. Isso é bem anterior ao surgimento de filosofias como o Budismo ou o Taoísmo. Então, podemos descartar os rótulos de "novo", "místico/esotérico" e "religioso".
Quanto ao "ciência chinesa da harmonização de ambientes", vamos pensar um pouco: os chineses antigos foram exímios observadores da natureza. Foi a primeira civilização a registrar fenômenos astronômicos como supernovas e alguns cometas. Inventaram a bússola e um calendário lunisolar bastante preciso. Desenvolveram, entre outras coisas, cálculos matemáticos, técnicas de fundição de metais, processos construtivos com alto grau de precisão e uma medicina não invasiva e que busca a saúde integral tão falada nos dias atuais. Será que iam se dar ao trabalho de desenvolver um conhecimento apenas para "harmonizar ambientes", seja lá o que isso signifique?

VAMOS A OUTRO CLICHÊ: "ENTÃO, O QUE É FENG SHUI?"
Feng Shui é um conhecimento antigo fundamentado na observação da natureza e na experimentação que combina elementos de diversas áreas (matemática, física, arquitetura, astronomia) e que se propõe a estudar o posicionamento das edificações em relação às influências naturais sutis e o resultado destas influências sobre os seres humanos. Os mestres chineses de Feng Shui reconhecem que cada edificação, terreno ou área natural possui sua própria "vibração" e está sujeito a várias influências do ambiente que circunda. Eles compreendem a importância de uma correta localização de edificações, móveis e objetos, e sabem a importância que uma correta localização dentro do ambiente e no seu entorno são benefícios, enquanto outros podem proporcionar dificuldades para o corpo e a mente. Descobriram que quando as pessoas buscam o equilíbrio com as forças benéficas da natureza, gozam de boa sorte, saúde, prosperidade e espiritualidade. Quando se alinham com influências nocivas experimentam dificuldades e obstáculos.
Como influência natural vamos incluir o clima, a ventilação, a insolação e outros aspectos bem conhecidos dos arquitetos. Influência natural sutil se refere ao aspecto psicológico da paisagem natural ou construída e, ponto central de um estudo do Feng Shui, o magnetismo.
Ainda místico para você? No próximo artigo vamos mostrar os paralelos entre o Feng Shui e algumas descobertas científicas recentes.

Ricéles Araújo Costa - Arquiteto e Urbanista