Bases da Física Quântica: uma preparação para a espiritualidade

        Os elementos atômicos, a luz e outras formas eletromagnéticas têm um comportamento dual – ora se comportam como se fossem constituídos por partículas, ora agem como se fossem ondas que se expandem em todas as direções. E, ainda mais estranho, a natureza do comportamento observado era estabelecida pela expectativa expressa no experimento a que estavam sujeitos: onde se esperava encontrar partículas, lá estavam elas, da mesma forma ocorria onde se esperava encontrar a onda. Era como se o esperado se refletisse na experiência.
Como se poderia conciliar o fato de que uma coisa podia ser duas ao mesmo tempo, e como manter a objetividade se o tipo de experimento e, conseqüentemente, a expectativa do esperado, parecia determinar um ou outro comportamento experimental?
A solução foi dada por Niels Bohr ao elaborar o Princípio da Complementaridade. Ele estabelece que, embora mutuamente excludentes num dado instante, os dois comportamentos são igualmente necessários para a compreensão e a descrição dos fenômenos atômicos. O paradoxo é necessário. Ele aceita a discrepância lógica entre os dois aspectos extremos, mas igualmente complementares para uma descrição exaustiva de um fenômeno. No domínio do quantum não se pode ter uma objetividade completa...
Ruiu, assim, mais um pilar newtoniano-cartesiano, o mais básico, talvez: não se pode mais crer num universo determinístico, mecânico, no sentido clássico do termo. No nível subatômico não podemos afirmar que exista matéria em lugares definidos do espaço, mas que existem ‘tendências a existir’, e os eventos têm ‘tendências a ocorrer’. É este o Princípio da Incerteza de Heisenberg. (parte do livro Percepção e Consciência)
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